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Laços do Florescer
Sala de aula e educação infantil

Atividades para berçário 2, com objetivos e campos de experiência

No berçário 2 tudo muda: a criança anda, quer fazer sozinha e derruba o que encontra. Planejar para essa turma é planejar para o movimento, não contra ele.

Publicado em 20/08/2026 Atualizado em 20/08/2026 12 min de leitura Por Laços do Florescer
Criança pequena concentrada explorando objetos sobre a mesa

Se você acabou de receber uma turma de berçário 2 vinda do berçário 1, já percebeu: o que funcionava parou de funcionar. Eles andam, escalam, derrubam, disputam e querem fazer tudo sozinhos.

A boa notícia é que quase tudo isso é conteúdo. Planejar para essa turma é planejar para o movimento, não contra ele.

Este texto é o par do guia de atividades para berçário 1 e o recorte por turma do guia geral de atividades. A turma seguinte está em atividades para maternal 1.

Para qual turma é este texto

Berçário 2 costuma corresponder à faixa de 1 a 2 anos, no início do que a BNCC chama de crianças bem pequenas — grupo que vai de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses. A nomenclatura varia por rede, então vale conferir a organização da sua escola.

O que muda em relação ao berçário 1

  • Deslocamento autônomo. Ela vai onde quer, e isso muda a organização do espaço inteiro.
  • Intenção clara. Já quer alguma coisa específica, o que traz junto a frustração e a disputa por objeto.
  • Imitação. Reproduz o que viu, inclusive horas depois. É a porta de entrada do faz de conta.
  • Primeiras palavras e muitos gestos. Apontar vira a principal ferramenta de comunicação.
  • Fazer sozinha. Comer, calçar, carregar. Aceitar a versão imperfeita disso é o que sustenta a autonomia.
  • Transbordo. Derrubar, esvaziar, espalhar. Não é bagunça: é investigação de causa e efeito.
O ajuste que resolve metade dos conflitos

Nesta faixa a criança ainda não divide. Tenha brinquedos repetidos — três potes iguais, quatro bonecas parecidas. Disputa por objeto único consome mais tempo da turma que qualquer proposta pedagógica.

Corpo, gestos e movimentos

  • Circuito com material solto. Almofadas, tábuas baixas, pneus, caixotes, cordas — que as próprias crianças remontam. Superior a qualquer estrutura fixa porque muda todo dia.
  • Caminho de fita no chão. Retas, curvas e ziguezague coladas no piso para percorrer.
  • Subir e descer com segurança. Degrau baixo, rampa, colchão empilhado. Escalar é necessidade, e melhor oferecer onde é seguro.
  • Empurrar e carregar peso. Caixa com livros, carrinho de compras, balde com água. Trabalho pesado organiza a criança agitada.
  • Dança que para. A música para, todo mundo congela. Inibir impulso é a base do autocontrole.
  • Bolhas de sabão. Correr atrás, estourar, tentar pegar.

Traços, sons, cores e formas

  • Pintura na vertical. Papel colado na parede ou no muro do pátio. Muda todo o movimento do braço em relação à mesa.
  • Painel coletivo no chão. Papel grande, tinta em potes largos, sem divisão de espaço. Cada criança ocupa a área que alcança.
  • Massinha caseira. Farinha, sal, água e um fio de óleo. Sem forminha: só amassar, rolar, apertar.
  • Carimbo com o que a natureza dá. Folha, meia laranja, batata cortada, esponja.
  • Colagem com material grande. Papel rasgado pela própria criança, tecido, folha seca. Nada de peça minúscula.
  • Instrumentos e sons. Pote com grãos, colher em panela, sons do corpo, gravar e ouvir depois.

O eu, o outro e o nós

  • Roda curta de chegada. Três a cinco minutos, com o nome de cada um. Longa demais não funciona nesta idade.
  • Guardar junto. Cada coisa numa caixa. É classificação e é convivência ao mesmo tempo.
  • Espelho e fotos da turma na altura deles, para reconhecer e nomear.
  • Cuidar de algo vivo. Regar um vaso, alimentar um peixe. Responsabilidade concreta e curta.
  • Mediar a disputa sem resolver por eles. Nomear os dois lados — "você queria e você também" — e oferecer o segundo objeto igual.

Escuta, fala, pensamento e imaginação

  • História com objeto na mão. Distribuir um objeto ligado à história para cada criança segurar. Ancora a atenção e inclui quem não fica parado.
  • Livros de imagem para nomear, com abas e texturas, disponíveis no chão.
  • Cantigas com repetição e refrão, para que possam dizer junto.
  • Cantinho da casa com objetos reais. Panela velha, colher de pau, pote com tampa. Objeto real sustenta brincadeira mais longa que miniatura.
  • Amplie o que ela disser. Se ela diz "au-au", responda "sim, o cachorro correu". Um pouco acima do nível dela, sem corrigir.
  • Espere a resposta. Conte até sete antes de completar por ela.
Isso conecta com

Para o que esperar da linguagem nesta faixa e os sinais que pedem avaliação, veja desenvolvimento da linguagem e atraso de fala.

Espaços, tempos, quantidades e transformações

  • Transvasamento. Dois recipientes e um material a granel: água, arroz, feijão, tampinhas. Em bandeja, no chão ou no pátio. Vinte minutos de concentração.
  • Separar por cor. Tampinhas em dois potes. Comece com duas categorias, nunca cinco.
  • Entra e não entra. Potes e tampas de tamanhos variados.
  • Plantio em caixote. Plantar, regar em escala de revezamento, observar por semanas.
  • Sombra e luz. Lanterna, objetos, parede. Ou contornar a sombra no pátio em horários diferentes.
  • Rotina em imagens. Fotos da sequência do dia na altura deles, com marcador móvel.

Coordenação motora fina, sem folha

É uma das buscas mais frequentes para esta turma, e quase sempre a resposta que se encontra é atividade de papel. Nesta idade, o motor fino se desenvolve muito melhor em três dimensões — o guia completo está em coordenação motora fina:

  • Pinça com objetos grandes. Pegar tampinhas com os dedos, depois com pregador de roupa ou pinça de macarrão.
  • Enfiar. Canudos cortados num pote com furo, argolas num cabo de vassoura fixado.
  • Rosquear. Potes com tampa de rosca, de tamanhos diferentes.
  • Rasgar papel. Movimento de pinça dos dois lados, e rende muito.
  • Encaixar. Peças grandes de madeira, potes que entram um no outro.
  • Massinha com resistência. Amassar e apertar fortalece a mão inteira.
  • Autonomia como exercício. Comer sozinha, calçar, subir o zíper. É motor fino com função real, e é o melhor de todos.

Objetivos e organização do planejamento

Como no berçário 1, vale o esclarecimento: os objetivos oficiais para esta faixa estão no documento da BNCC, no grupo EI02, das crianças bem pequenas. Vale consultá-los no texto oficial ou no currículo da sua rede, em vez de confiar em lista reproduzida de memória em qualquer site — inclusive este.

No planejamento, funciona nomear o campo e descrever o objetivo com suas palavras:

  • Campo: Corpo, gestos e movimentos. Objetivo: deslocar-se por diferentes superfícies, ajustando o corpo aos desafios do percurso.
  • Campo: Espaços, tempos, quantidades. Objetivo: explorar a relação entre recipientes ao transvasar materiais.
  • Campo: O eu, o outro e o nós. Objetivo: participar de situações de convivência com apoio do adulto na mediação de conflitos.

E o formato que economiza mais tempo: uma proposta em camadas ao longo da semana, em vez de cinco atividades soltas. A mesma investigação, aprofundada dia após dia, prepara uma vez e rende cinco.

Para testar na próxima semana

Escolha uma proposta — o transvasamento, por exemplo — e repita nos três dias seguintes mudando só um elemento por dia: o material, o recipiente, o local. Você vai ver a turma descobrir na terceira rodada coisas que não apareceram na primeira.

Perguntas frequentes

Que atividades fazer no berçário 2?

Propostas que aceitem o movimento: circuito com material solto que as crianças remontam, transvasamento com potes e materiais a granel, pintura na vertical, massinha sem forminha, cantinho da casa com objetos reais e história com objeto na mão. Nesta faixa a criança anda, imita e quer fazer sozinha, então a proposta precisa comportar isso em vez de conter.

Qual a idade do berçário 2?

Costuma corresponder à faixa de 1 a 2 anos, no início do grupo que a BNCC chama de crianças bem pequenas, que vai de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses. A nomenclatura varia entre redes e escolas, e vale conferir a organização adotada onde você trabalha.

Como trabalhar coordenação motora fina no berçário 2?

Em três dimensões, não em folha: pegar tampinhas com os dedos e depois com pregador, enfiar canudos em pote com furo, rosquear tampas, rasgar papel, encaixar peças grandes e amassar massinha. O melhor exercício de todos é a autonomia real — comer sozinha, calçar, subir o zíper.

Como lidar com a disputa por brinquedos nessa turma?

Nesta faixa a criança ainda não divide, e cobrar isso gera conflito sem aprendizado. O ajuste que mais reduz disputa é ter objetos repetidos: três potes iguais, quatro bonecas parecidas. Quando o conflito acontece, nomear os dois lados e oferecer o segundo objeto funciona melhor que exigir partilha.

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Este texto faz parte do canteiro Sala de aula e educação infantil. Veja também o índice completo da Biblioteca do Cuidar.