Atividades para maternal 1, com objetivos e campos de experiência
É a turma do transbordo e do primeiro “não”. Planejar bem aqui é aceitar que a criança vai derramar, disputar e querer fazer tudo sozinha — e transformar isso em proposta.

Maternal 1 costuma ser a turma que mais cansa e a que menos encontra material adequado. As propostas que circulam ou são fáceis demais, pensadas para berçário, ou exigem uma capacidade de sentar e seguir instrução que essa idade ainda não tem.
Este é o recorte por turma do guia geral de atividades, e o passo seguinte ao berçário 2.
Para qual turma é este texto
Maternal 1 corresponde, na maior parte das redes, à faixa de 2 a 3 anos, dentro do grupo que a BNCC chama de crianças bem pequenas. A nomenclatura varia bastante — maternal I, maternal A, M1, grupo 3 —, então vale conferir como a sua escola organiza os agrupamentos.
O que define esta fase
- O pico do querer. A criança descobriu que tem vontade própria, e o "não" vira ferramenta de existir. É a fase de maior frequência de birra.
- Fazer sozinha, sempre. Comer, calçar, carregar, abrir. Aceitar a versão imperfeita é o que sustenta a autonomia.
- Transbordo. Derramar, esvaziar, espalhar. Não é bagunça: é investigação de causa e efeito.
- Faz de conta inicial. Aparece a substituição: o bloco vira telefone, a colher vira avião.
- Brincar lado a lado. Ainda não brincam juntos de verdade, e cobrar isso gera conflito sem aprendizado.
- Atenção curta e intensa. Cinco a dez minutos por proposta, com envolvimento total nesse período.
Planeje propostas curtas e simultâneas, não uma atividade única para a turma toda. Três ou quatro cantos disponíveis ao mesmo tempo, com a criança escolhendo por onde começa, reduzem mais conflito que qualquer estratégia de manejo.
Corpo, gestos e movimentos
- Circuito com material solto. Almofadas, tábuas, pneus, caixotes e cordas que as próprias crianças remontam. Muda todo dia, ao contrário do parque fixo.
- Caminho de fita no chão. Retas, curvas, ziguezague. Percorrer, pular, andar de lado.
- Dança que para. A música para, todo mundo congela. Inibir impulso é o exercício de autorregulação mais valioso da idade.
- Trabalho pesado. Carregar balde com água, empurrar caixa de livros, arrastar colchonete. Organiza a criança agitada como nada mais.
- Bolhas de sabão. Correr atrás, estourar, tentar pegar.
- Rotina de vestir. Calçar sozinha, subir o zíper, pendurar a mochila. Motor fino com função real.
Espaços, tempos, quantidades e transformações
- Transvasamento. Dois recipientes e material a granel: água, arroz, feijão, tampinhas, areia. Vinte minutos de concentração absoluta, e é a proposta com melhor retorno da turma.
- Separar por cor. Tampinhas em dois potes. Duas categorias, nunca cinco.
- Encaixe e empilhamento. Potes que entram um no outro, blocos, caixas de tamanhos diferentes.
- Plantio em caixote. Plantar, regar em revezamento, medir com barbante, desenhar o que mudou.
- Sombra no pátio. Contornar com giz de manhã e à tarde.
- Rotina em imagens na altura deles, com marcador móvel indicando onde estamos.
Traços, sons, cores e formas
- Pintura na vertical. Papel na parede ou no muro. Muda o movimento do braço inteiro em relação à mesa.
- Painel coletivo no chão. Papel grande, tinta em potes largos, sem divisão de espaço.
- Massinha caseira. Farinha, sal, água e óleo. Sem forminha: amassar, rolar, apertar.
- Carimbo natural. Folha, meia laranja, batata cortada, esponja.
- Colagem com material grande. Papel rasgado pela própria criança, tecido, folha seca.
- Sons do corpo e objetos. Pote com grãos, colher em panela, gravar e ouvir depois. O guia completo está em musicalização infantil.
Escuta, fala, pensamento e imaginação
- História com objeto na mão. Um objeto ligado à história para cada criança segurar. Ancora a atenção e inclui quem não fica parado.
- Cantigas com refrão, para que possam dizer junto e antecipar o que vem.
- Cantinho da casa com objetos reais. Panela velha, colher de pau, pote com tampa, pano de prato. Objeto real sustenta brincadeira muito mais longa que miniatura de plástico.
- Caixa de fantasias simples. Panos, chapéus, bolsas. Nada de fantasia pronta.
- Amplie o que ela disser, um pouco acima do nível dela, sem corrigir.
- Espere sete segundos antes de completar a frase por ela.
O eu, o outro e o nós
- Roda curta. Cinco minutos, com o nome de cada um. Roda longa nessa idade produz mais manejo que aprendizado.
- Brinquedos repetidos. Três potes iguais, quatro bonecas parecidas. Reduz disputa mais que qualquer conversa sobre dividir.
- Mediar sem resolver. Nomear os dois lados — "você queria e você também" — e oferecer o segundo objeto.
- Guardar junto, cada coisa numa caixa. Classificação e convivência ao mesmo tempo.
- Cuidar de algo vivo. Regar o vaso da sala em escala.
- Painel com as fotos da turma na altura deles.
É a idade de pico da birra. Para o manejo no momento da crise, veja birra infantil: o que fazer, por idade.
Sobre as atividades para imprimir
Uma parte grande de quem procura atividade para maternal está atrás de folha pronta. Vale tratar isso com franqueza, porque a resposta honesta ajuda mais que a lista.
Aos 2 e 3 anos, a folha rende pouco. A criança ainda desenha com o braço inteiro, não com a ponta dos dedos; não sustenta a atenção sentada por muito tempo; e o resultado de uma folha padronizada é sempre parecido entre todas, o que costuma indicar que foi o adulto quem conduziu.
Isso não significa que papel nunca serve. Serve quando:
- é grande — papel de metro, papel de parede virado, caixa aberta;
- é vertical — colado na parede ou no cavalete;
- é aberto — sem contorno a preencher, sem resposta certa;
- é coletivo — vários trabalhando no mesmo suporte.
Se a sua escola exige registro em folha, um caminho que funciona é colar no caderno o que a criança produziu de verdade — a colagem, o rabisco grande, a foto do que ela construiu — em vez de imprimir molde. Cumpre a exigência e mantém o sentido.
Objetivos no planejamento
Os objetivos oficiais desta faixa estão no documento da BNCC, no grupo EI02, das crianças bem pequenas. Vale consultá-los no texto oficial ou no currículo da sua rede, em vez de confiar em lista reproduzida de memória em qualquer site.
No plano, funciona nomear o campo e descrever com suas palavras:
- Campo: Espaços, tempos, quantidades. Objetivo: explorar relações de quantidade e capacidade ao transvasar materiais entre recipientes.
- Campo: O eu, o outro e o nós. Objetivo: participar de situações de convivência, com apoio do adulto na mediação de conflitos.
- Campo: Escuta, fala, pensamento e imaginação. Objetivo: utilizar objetos para representar outros em situações de faz de conta.
E a ordem que faz o planejamento funcionar continua a mesma: desenhe a experiência primeiro, nomeie os campos depois.
Para o formato do plano semanal e o ciclo de observar, propor e registrar, veja planejamento na educação infantil. A turma seguinte está em atividades para maternal 2.
Perguntas frequentes
Qual a idade do maternal 1?
Na maior parte das redes corresponde à faixa de 2 a 3 anos, dentro do grupo que a BNCC chama de crianças bem pequenas. A nomenclatura varia bastante entre escolas — maternal I, maternal A, M1, grupo 3 —, então vale conferir a organização adotada onde você trabalha.
Que atividades fazer no maternal 1?
Propostas curtas e simultâneas, em vez de uma atividade única para a turma toda: transvasamento com potes e materiais a granel, circuito com material solto, pintura na vertical, massinha sem forminha, cantinho da casa com objetos reais e história com objeto na mão. É a fase do transbordo e da autonomia, e a proposta precisa comportar isso.
Atividade para imprimir funciona no maternal 1?
Rende pouco nessa idade. A criança ainda desenha com o braço inteiro e não sustenta atenção sentada por muito tempo, e folha padronizada produz resultados iguais entre todos. Papel funciona quando é grande, vertical, aberto e coletivo. Se a escola exige registro, colar no caderno o que a criança produziu de verdade cumpre a exigência sem esvaziar o sentido.
Como reduzir a disputa por brinquedos no maternal 1?
Tendo objetos repetidos: três potes iguais, quatro bonecas parecidas. Nessa idade a criança ainda não divide, e cobrar partilha gera conflito sem aprendizado. Quando o conflito acontece, nomear os dois lados e oferecer o segundo objeto funciona melhor do que exigir que um ceda.

Atividades para maternal 2, com objetivos e campos de experiência
Aos 3 e 4 anos aparece o enredo. A criança já sustenta uma investigação por vários dias — e é aqui que o planejamento em sequência começa a render de verdade.

Atividades para berçário 2, com objetivos e campos de experiência
No berçário 2 tudo muda: a criança anda, quer fazer sozinha e derruba o que encontra. Planejar para essa turma é planejar para o movimento, não contra ele.

Atividades para educação infantil: guia por faixa etária
Atividade boa não é a que fica bonita no mural. É a que a criança consegue conduzir sozinha, que aceita mais de um jeito de participar e que ninguém termina igual.
Este texto faz parte do canteiro Sala de aula e educação infantil. Veja também o índice completo da Biblioteca do Cuidar.
