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Laços do Florescer
Sala de aula e educação infantil

Atividades para maternal 2, com objetivos e campos de experiência

Aos 3 e 4 anos aparece o enredo. A criança já sustenta uma investigação por vários dias — e é aqui que o planejamento em sequência começa a render de verdade.

Publicado em 20/08/2026 Atualizado em 20/08/2026 12 min de leitura Por Laços do Florescer
Duas crianças rindo e conversando de perto, no pátio

Se o maternal 1 é a turma do transbordo, o maternal 2 é a turma em que o enredo aparece. A criança já negocia, já conta o que aconteceu, já retoma no dia seguinte a brincadeira de ontem.

Isso muda o que dá para planejar: aqui a sequência de vários dias começa a funcionar de verdade, e é o que mais economiza preparação.

Este é o passo seguinte ao maternal 1 e o recorte por turma do guia geral de atividades.

Para qual turma é este texto

Maternal 2 costuma corresponder à faixa de 3 a 4 anos, no fim do grupo das crianças bem pequenas e início das crianças pequenas, conforme a BNCC. Como sempre, a nomenclatura varia por rede — maternal II, M2, grupo 4 — e vale conferir a sua.

O que muda em relação ao maternal 1

  • Enredo no faz de conta. História com começo, meio e fim, com mais de um personagem e alguma complicação.
  • Negociação. "Você é o filho e eu sou a mãe." Combinar as regras da brincadeira passa a ocupar tanto tempo quanto brincar — e é a parte mais valiosa.
  • Atenção mais longa. Quinze a vinte minutos numa proposta que interessa.
  • Memória de ontem. Ela retoma o que ficou pela metade, o que viabiliza projeto e sequência.
  • Pergunta encadeada. O "por quê" aparece e não para mais.
  • Motor fino mais preciso. Tesoura sem ponta, formas fechadas, encaixes menores.

Escuta, fala, pensamento e imaginação

  • Reconto com apoio de imagens. Depois da história, cartelas para ordenar o que veio primeiro, depois e no fim.
  • Final diferente. Recontar uma história conhecida e parar antes do fim, para o grupo inventar outro.
  • História com três objetos. A turma escolhe três coisas e a história precisa usar as três.
  • Escrita com função real. Escrever junto a lista do passeio, o cardápio da semana, o nome nos crachás. Escrita com uso, não exercício.
  • Cantinho de faz de conta temático, montado com a turma: mercado, consultório, oficina.
  • Roda de novidades curta, com objeto ou desenho para apoiar quem tem dificuldade de falar em grupo.

O eu, o outro e o nós

  • Combinados construídos com a turma. Poucos, ilustrados, feitos por eles e afixados na altura deles. Regra que a criança ajudou a criar é cobrada por ela.
  • Jogo cooperativo sem eliminação. Quem é pego vira parceiro, e o grupo cresce em vez de encolher.
  • Livro das famílias da turma. Cada criança traz foto ou desenho de quem mora com ela. Todas viram página do mesmo livro.
  • Assembleia curta. Um problema real da sala colocado em roda para o grupo propor solução.
  • Duplas rotativas em vez de grupo grande, mudando a cada semana.
  • Função de verdade. Ajudante do dia com tarefa concreta: distribuir material, contar quantos vieram.
Isso conecta com

O faz de conta é a ferramenta central desta idade. Veja faz de conta: como a brincadeira simbólica constrói o pensamento.

Espaços, tempos, quantidades e transformações

  • Boia ou afunda. Bacia com água e objetos variados. Antes de testar, cada criança arrisca um palpite — é onde nasce a ideia de hipótese.
  • Plantio com acompanhamento. Feijão no algodão, regar, medir, desenhar a mudança a cada dois dias.
  • Caça a bichinhos com lupa, e a combinação de devolver ao lugar.
  • Culinária sem fogo. Salada de frutas, sanduíche, suco. Contar, medir, dividir, esperar.
  • Medir com o que não é régua. Quantos pés tem a sala? Quantas mãos tem a mesa?
  • Sombra ao longo do dia, contornada com giz em três horários.

Traços, sons, cores e formas

  • Mural coletivo em etapas, construído ao longo da semana e não em um dia.
  • Argila e barro, que exigem mais força e sustentam forma melhor que a massinha.
  • Tesoura sem ponta, com papel firme e linhas largas para começar.
  • Ateliê de elementos naturais. Folhas, sementes, pedras e gravetos numa mesa, para compor e recompor.
  • Teatro de sombras com lanterna e parede.
  • Música com escuta ativa. Ouvir, identificar instrumentos, criar movimento para cada trecho.

Corpo, gestos e movimentos

  • Circuito com desafio combinado, montado pelas crianças e alterado por elas a cada rodada.
  • Jogos com regra simples. Amarelinha, estátua, morto-vivo, pega-pega com casa.
  • Equilíbrio. Linha no chão, tábua baixa, andar com objeto na cabeça.
  • Arremesso e pontaria. Bola em balde, saquinho em alvo.
  • Danças com sequência a memorizar.
  • Autonomia nos cuidados. Servir-se, limpar o que derramou, guardar o próprio material.

A sequência que rende a semana inteira

Aqui está o maior ganho de planejamento desta turma. Em vez de cinco atividades soltas, uma proposta em cinco camadas. Você prepara uma vez e a turma aprofunda.

Exemplo com uma poça d'água que apareceu no pátio depois da chuva:

  • Segunda — observar, tocar, descrever. O que vocês veem?
  • Terça — medir com potes. É maior que ontem?
  • Quarta — testar. O que boia? Quanto tempo o tecido leva para secar?
  • Quinta — representar em desenho ou construção.
  • Sexta — inventar uma história sobre a poça e registrar no mural.

Nomeando os campos depois: ET na medida e na transformação, CG em agachar e carregar, TS no desenho, EF na história e EO em dividir os potes. Cinco campos em uma poça — e uma preparação só.

Objetivos no planejamento

Os objetivos oficiais desta faixa ficam entre os grupos EI02 e EI03 da BNCC, conforme a idade das crianças da sua turma. Consulte no texto oficial ou no currículo da rede, em vez de confiar em lista reproduzida de memória.

No plano, nomeie o campo e descreva com suas palavras:

  • Campo: Escuta, fala, pensamento e imaginação. Objetivo: recontar histórias conhecidas mantendo a sequência dos acontecimentos.
  • Campo: Espaços, tempos, quantidades. Objetivo: levantar hipóteses sobre fenômenos observados e verificá-las na prática.
  • Campo: O eu, o outro e o nós. Objetivo: participar da construção de combinados coletivos e cobrá-los entre pares.
Isso conecta com

A turma seguinte está em atividades para maternal 3. Para o registro e a avaliação do período, veja avaliação na educação infantil.

Perguntas frequentes

Qual a idade do maternal 2?

Costuma corresponder à faixa de 3 a 4 anos, no fim do grupo das crianças bem pequenas e início das crianças pequenas conforme a BNCC. A nomenclatura varia entre redes — maternal II, M2, grupo 4 — e vale conferir a organização da sua escola.

Que atividades fazer no maternal 2?

Propostas que aproveitem o enredo e a memória de ontem: reconto com apoio de imagens, cantinho de faz de conta temático montado com a turma, boia ou afunda com palpite antes do teste, plantio com acompanhamento, jogos cooperativos sem eliminação e combinados construídos coletivamente. É a idade em que sequências de vários dias passam a render.

O que é uma sequência didática no maternal?

É a mesma proposta em camadas ao longo de alguns dias, cada dia acrescentando uma dimensão: observar, medir, testar, representar e narrar. Rende muito mais que cinco atividades soltas, porque a turma aprofunda em vez de trocar de assunto, e exige uma preparação só em vez de cinco.

Quando introduzir a tesoura na educação infantil?

Por volta dos 3 anos já é possível começar com tesoura sem ponta, usando papel firme e linhas largas, sempre com supervisão. Antes disso, o movimento de pinça se desenvolve melhor rasgando papel, usando pregadores e manipulando massinha, que preparam a mão para o corte.

Continue por aqui

Este texto faz parte do canteiro Sala de aula e educação infantil. Veja também o índice completo da Biblioteca do Cuidar.